Qualidade

Hospital dá bônus a médicos para notificação de incidentes e eventos adversos

Por Roberta Massa B. Pereira | 18.04.2019 | Sem comentários

Estratégia usada por hospital americano aumentou as notificações de incidentes. Mas é justo recompensar por isso?

Polêmica à vista! A Universidade Duke, nos Estados Unidos, publicou um estudo revelando os resultados de um novo método usado por seu hospital universitário para incentivar que residentes fizessem anotificação de incidentes eventos adversos.

Eles deveriam registrar pelo menos dois por ano para ganhar uma bonificação de US$ 200 – desde que todos os integrantes do seu programa de residência também atingissem a meta.I

Os resultados da iniciativa, publicada no Journal of Graduate Medical Education, mostrou que a abordagem deu certo.

As notificações feitas pelos residentes saltaram de 74 para 1288 um ano depois do início no projeto.

Os números se mantiveram nos dois anos posteriores em que durou o projeto: 1.234 e 1.350 notificações.

“Mostramos que um programa de incentivo financeiro pode aumentar e sustentar o relato de eventos de segurança”, escreveram os autores (1).

O projeto da Universidade Duke não é o primeiro a recorrer a incentivos financeiros.

Entre 2008 e 2009, a Oregon Health & Science University, também nos Estados Unidos, adotou uma estratégia semelhante ao oferecer bônus para os residentes que fizessem a notificação de eventos adversos.

Resultado: elas  aumentaram 5,6 vezes no período (2).

Outra a apostar na tática foi a Universidade da Califórnia em San Francisco.

Os residentes ganharam, em média, bônus de US$ 800, mas desta por atingir metas de melhoria da qualidade e segurança.

Entre 37 projetos, 76% atingiram os objetivos em categorias como melhora da comunicação, aprimoramento do fluxo de trabalho, documentação efetiva e intervenções com pacientes (3).

Apesar do aparente sucesso das iniciativas de cunho financeiro, há alguns senões ao método.

O primeiro é de ordem prática: a estratégia aumenta os custos.

No projeto da Universidade Duke, por exemplo, cerca de US$ 200.000 por ano foram reservados só para esse fim.

No Brasil, seria quase R$ 1 milhão.

O segundo obstáculo é de ordem moral: será que a maneira adequada de criar uma cultura de transparência é associá-la a incentivos financeiros

Recompensar os profissionais por fazer o que é um imperativo moral: reportar erros e eventos adversos?

Talvez, funcione como um recurso pedagógico: cria-se nos jovens o hábito da notificação de incidentes, o qual eles levarão para o resto de suas vidas profissionais, independentemente de incentivos financeiros.

Ou talvez o inverso também aconteça: eles passem a achar que não é uma obrigação se as organizações não recompensarem seu “tempo” e “disposição” para fazer as notificações. Faltam dados e restam dúvidas.

Fonte: IBSP – Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente-18.04.2019.

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