Qualidade

Saúde baseada em valor, precisamos comprender o significado de valor

Por Roberta Massa B. Pereira | 13.05.2019 | Sem comentários

Nós não vamos ter um sistema de saúde baseado em Valor até que concordemos no que “Valor” significa.

O artigo inicia falando da preocupação de alguns líderes com a nova aliança disruptiva de saúde formada pela Amazon, Berkshire Hathaway e JP Morgan Chase denominada de HAVEN.

O autor ficaria contente se a disrupção significar entrega de um novo nível de valor para os consumidores.

Se esse trio puder romper o sistema de saúde dos Estados Unidos a ponto de fazer com que forneça cuidados de alto valor de maneira consistente, todos deverão gratidão à eles.

Primeiro, seus líderes – Jeff Bezos, da Amazon, Warren Buffett, da Berkshire Hathaway, e Jamie Dimon, do JPMorgan Chase – devem pensar profundamente sobre o que “valor” realmente significa para as empresas e indivíduos a quem servirão e para as pessoas e organizações que envolverão na prestação dos serviços de cuidados.

Em seguida, eles precisam considerar como vão aproximar as diferentes interpretações de valor existentes.

Acontece que um dos motivos pelos quais houve tão pouco progresso na criação de um sistema baseado em valor é que as partes interessadas no sistema de saúde dos EUA – pacientes, fornecedores, hospitais, seguradoras, fornecedores de benefícios e formuladores de políticas públicas- não têm uma definição comum de valor e não concordam com a combinação de elementos que o compõem (qualidade? serviço? custo? resultados? acesso?).

Esse é o grande avanço da pesquisa “The State of Value in US Health Care” (“A Situação do Valor no Sistema de Saúde dos Estados Unidos”), feita pela Universidade de Utah Health.

Perguntaram a mais de 5.000 pacientes, mais de 600 médicos e mais de 500 empregadores que fornecem benefícios médicos em todo o país sobre como pensam sobre a qualidade, o serviço e o custo dos cuidados de saúde.

O autor ficaria contente se a disrupção significar entrega de um novo nível de valor para os consumidores. Se esse trio puder romper o sistema de saúde dos Estados Unidos a ponto de fazer com que forneça cuidados de alto valor de maneira consistente, todos deverão gratidão à eles.

Primeiro, seus líderes – Jeff Bezos, da Amazon, Warren Buffett, da Berkshire Hathaway, e Jamie Dimon, do JPMorgan Chase – devem pensar profundamente sobre o que “valor” realmente significa para as empresas e indivíduos a quem servirão e para as pessoas e organizações que envolverão na prestação dos serviços de cuidados.

Em seguida, eles precisam considerar como vão aproximar as diferentes interpretações de valor existentes.

Acontece que um dos motivos pelos quais houve tão pouco progresso na criação de um sistema baseado em valor é que as partes interessadas no sistema de saúde dos EUA – pacientes, fornecedores, hospitais, seguradoras, fornecedores de benefícios e formuladores de políticas públicas- não têm uma definição comum de valor e não concordam com a combinação de elementos que o compõem (qualidade? serviço? custo? resultados? acesso?).

Esse é o grande avanço da pesquisa “The State of Value in US Health Care” (“A Situação do Valor no Sistema de Saúde dos Estados Unidos”), feita pela Universidade de Utah Health.

Perguntaram a mais de 5.000 pacientes, mais de 600 médicos e mais de 500 empregadores que fornecem benefícios médicos em todo o país sobre como pensam sobre a qualidade, o serviço e o custo dos cuidados de saúde.

Descobriu-se que existem diferenças fundamentais em como elas definem valor na assistência médica e a quem elas atribuem a responsabilidade de alcançá-lo.

Valor, aparentemente, tornou-se uma palavra de ordem; seu significado é muitas vezes incerto e inconstante, dependendo de quem está definindo a agenda.

Como resultado, as partes interessadas no sistema de saúde, que durante anos pensaram estar caminhando em direção a um destino comum, na verdade fizeram parte de uma corrida fragmentada em direção a diferentes pontos da bússola.

Mas as descobertas da pesquisa de Utah também sugerem uma maneira direta (embora não simples) de superar essa confusão: parar, ouvir e aprender.

A coisa mais eficaz que as partes interessadas podem fazer para criar um sistema de saúde de alto valor é pausar suas buscas independentes de valor para expor exatamente uns aos outros o que é que buscam.

Dar o salto inicial a esse diálogo entre as partes interessadas exigirá liderança real por parte de executivos de empresas, de prestadoras de serviços de saúde, da medicina acadêmica e de grupos de defesa de direitos do paciente.

Eles terão que reunir coragem para dizer ao seu eleitorado:

“O caminho em direção a valor que mapeamos pode não ter sido o caminho certo”.

Esses diálogos devem acontecer em três níveis: nacionalmente, entre representantes de grupos de partes interessadas; institucionalmente, entre os parceiros no processo de prestação de cuidados; e individualmente – por exemplo, entre pacientes e seus médicos, e entre patrocinadores de planos de saúde e beneficiários de empregados.

Existem vários exemplos de desalinhamentos de valor fundamentais que poderiam ser pontos de partida para essas discussões.

O primeiro diz respeito à importância relativa dos resultados de saúde. Para médicos como o autor, os resultados clínicos são primordiais; a melhoria da saúde e o atendimento de alta qualidade são componentes essenciais do valor da assistência médica.

Assumem que os pacientes compartilham essa perspectiva. Mas, parece que não.

Quando a pesquisa de Utah pediu aos pacientes que identificassem as principais características dos serviços de saúde de alto valor, uma pluralidade (45%) escolheu “Meus Custos Extras são Acessíveis” e apenas 32% escolheram “Minha Saúde Melhora” (Em realidade, na lista de característicaschave dos pacientes, “Minha Saúde Melhora” ficou um pouco abaixo de “Funcionários são Amigáveis e Solícitos”.)

Em geral, o custo e o serviço foram muito mais importantes na determinação do valor para os pacientes do que para os médicos.

A pesquisa de valor encontrou uma surpreendente falta de consenso sobre quem detinha a responsabilidade de garantir que a assistência à saúde incorpore as características desejadas de alto valor.

Além disso, os entrevistados da pesquisa geralmente demonstraram uma compreensão limitada de como o sistema de assistência médica funciona não indo além de mais do que um ou dois passos da sua experiência direta.

Isso levou a respostas em desacordo com a realidade – por exemplo, apenas 4% dos pacientes e médicos reconhecem que a escolha do plano de saúde pelo empregador afeta os custos particulares (não cobertos por planos de saúde).

Ambos os tipos de desalinhamento – em relação à importância relativa de resultado, custo, serviço e qualidade, e com relação a quem seria o responsável por adquirir características específicas de valor – demonstram o problema central: as partes interessadas não se comunicaram entre si de forma eficaz, nos níveis macro e micro, sobre o que valor significa para eles.

O autor apresenta duas sugestões sobre como iniciar o processo de comunicações e manter as informações fluindo.

No nível micro, devemos alavancar o crescente poder dos sistemas de revisão médica – e hospitalar – para coletar mais (e mais sofisticadas) informações sobre o que é mais valorizado pelos consumidores de serviços de saúde individuais.

Aplicar as crescentes capacidades computacionais para explorar profundamente esses dados, tanto dentro como entre os sistemas, para criar uma experiência aprimorada do paciente que seja instruída por como eles definem valor.

E os líderes de negócios devem expandir os esforços de suas empresas para rastrear e analisar – e educar seus funcionários sobre – as múltiplas dimensões de valor nos planos de benefícios de saúde que eles oferecem.

No nível macro – nacional, regional e interinstitucional – as principais organizações devem se prontificar para a convocação de rodadas iniciais de diálogos com as partes interessadas.

Centros médicos acadêmicos, como a Universidade de Utah Health, estão bem posicionados para serem convocadores.

(O Utah Value Forum deste mês trouxe parceiros regionais para debater os desafios que todos enfrentamos.)

Os centros médicos acadêmicos também são únicos em sua qualificação para realizar pesquisas rigorosas com o intuito de entender melhor os desalinhamentos e mal-entendidos encontrados em estudos como a pesquisa de Valor.

Outros participantes precisam se juntar ao desafio como as operadoras e seguradoras privadas.

Se os senhores Bezos, Buffett e Dimon realmente quiserem impulsionar grandes mudanças no sistema de prestação de cuidados de saúde dos EUA, eles devem ajudar a convocar diálogos focados em valor, fornecendo o tipo de cobertura política e econômica necessária para trazer grupos de interessados a essas conversas.

E eles não devem parar por aí: eles precisarão lembrar a todos que essas conversas não são apenas sobre contenção de custos – que “valor” significa mais do que apenas o que pagamos. (Ou, como Buffett colocou em uma de suas famosas cartas como CEO, “preço é o que você paga; valor é o que você recebe”).

Eles devem semear projetos-piloto destinados a suprir as lacunas presentes nas definições de valor de pacientes, médicos e empregadores da área da saúde.

E sendo as pessoas inteligentes, criativas e ousadas que são, eles devem ajudar a guiar todos os interessados através dos difíceis compromissos necessários para criar uma visão coletiva de um sistema de saúde de alta qualidade, com foco no paciente e com uma boa relação custo-benefício.

Isso, sim, seria verdadeiramente “disruptivo”.

*Por: Robert C. Pendleton, MD, is a professor of medicine (clinical) at the University of Utah School of Medicine and chief medical quality officer at University of Utah Health.

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