Gestão

Operadoras de Plano de Saúde, médicos e pacientes: Como administrar essa complexa relação.

Por Roberta Massa B. Pereira | 14.09.2011 | Sem comentários

Publicidade

O caótico sistema de saúde pública do Brasil somado ao crescimento econômico do país resultou no aumento da demanda do sistema de saúde privado. Os números são espantosos e os reflexos são muitos.

O aumento significativo de clientes tendo acesso aos serviços de saúde privado, foram capazes de render  lucro líquido de aproximadamente 22,5% no último trimestre de uma das maiores operadoras de planos de saúde do país.

 Crescimento e pouca qualidade

O crescimento destas operadoras, entretanto,  não é sinônimo  de prestação de serviço de qualidade com eficiência e credibilidade, muito pelo contrário, o  serviço lidera o ranking de reclamações do Idec, (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), há mais de 10 anos e no último semestre este índice dobrou.

O maior número de reclamações está relacionado às negativas de cobertura, mesmo nos procedimentos cobertos em contrato, onde muitas vezes é necessário acionar a justiça para a liberação de um procedimento. O valor do reajuste anual das mensalidades é abusivo e acima do valor da inflação.

Repasses irrisórios aos médicos

As reclamações não são feitas somente pelos consumidores, mas também aos recursos credenciados, na sua maioria médicos prestadores de serviços que recebem repasse que varia entre  R$ 25,00 a R$ 40,00 por consulta.

Os valores dos honorários médicos não são reajustados  criando descontentamento por parte dos médicos, tendo como conseqüência as paralisações no atendimento, levando transtornos aos pacientes.

Os médicos têm dificuldade para liberação de procedimentos de alto custo, onde muitas vezes as operadoras negam a liberação dos mesmos, interferindo no tratamento médico  e prejudicando o restabelecimento/cura do paciente.

O maior prejudicado neste relacionamento (como não poderia ser diferente) é o paciente, que paga um valor abusivo em sua mensalidade e não tem a certeza de que terá acesso ao serviço quando for necessário, e se tiver acesso, ele não terá garantida a qualidade e segurança.

Altos valores e pouco respeito ao cliente

A olho nú fica nítido que o desempenho financeiro dos planos de saúde é extremamente positivo nos últimos anos, resta saber o porquê estes resultados positivos não se refletem na qualidade do atendimento e zelo aos clientes.

Os hospitais começaram nos últimos anos a se preocupar com o bem estar dos pacientes/clientes criando toda uma atmosfera para a qualidade total, prezando pela humanização e cuidados adicionais, porém os planos de saúde tratam seus clientes como números que quase sempre se resumem ao termo “custos”.

Como diria um conhecido jornalista: “Isto é uma vergonha”. Está claro que a ANS precisa intervir com mais rigor nessa questão,  não somente estipular as regras, mas também garantir que elas sejam cumpridas. Respeito é bom e todo mundo gosta.

Até a próxima!

Compartilhe!