Gestão

Indicadores Hospitalares

Por Roberta Massa B. Pereira | 30.03.2014 | 3 comentários

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Sei que pode parecer exagero para muitas pessoas que vivem a realidade dos hospitais da iniciativa privada mas até pouco tempo atrás eu confesso que jamais poderia imaginar o quanto é desafiador conseguir unificar dados hospitalares de diversos serviços de um hospital de grande porte, transformando-os em Indicadores Hospitalares.

Para garantir um indicador hospitalar que apresente confiabilidade à produção hospitalar é necessário garantir o alinhamento do conceito e da forma de contabilização de todos os dados de produção. Só desta maneira é possível garantir que todos estejam contabilizando os dados da mesma forma.

Uma vez que todos os dados foram transformados em informações e que a mesmas estejam representando a produção hospitalar, o próximo desafio é a realização da análise dos indicadores de produção.
Para ilustrar meu raciocínio vou iniciar com um indicador muito conhecido na administração hospitalar, ele é utilizado pelos gestores e pela alta direção:

Taxa de Ocupação Operacional:

Fórmula: Paciente Dia/Leito Dia

Paciente/dia = representa o número de pacientes atendidos no período.

Leito/dia = representa o número de leitos disponíveis no período.

Em princípio não é um cálculo que apresenta muita dificuldade de encontrar o resultado, porém realizar uma análise isoladamente desse resultado poderá gerar equívocos gravíssimos de interpretação, podendo levar a tomada de decisões indevidas que poderão prejudicar os resultados de desempenho de uma Instituição.

Outra questão importantíssima que deve ser analisada, pode até parecer óbvia para alguns, mas garanto que não é, é a realização da análise do número de leitos disponíveis, já que quando essa situação não é identificada devidamente pode mascarar um grave problema na instituição.

Para continuarmos nosso estudo, imaginemos que a ilustração abaixo represente um exemplo que identifica um discreto aumento nos últimos 3 anos da Taxa de Ocupação Operacional de um hospital (vale lembrar que os dados são fictícios e servem apenas para exemplo).

Os períodos de 2011 à 2013, analisado isoladamente pode ser um resultado positivo, porém uma análise mais aprofundada nos permite identificar uma queda no número de leitos disponíveis no mesmo período, que é um fator extremamente importante para o resultado da taxa de ocupação.

Taxa ocupação Exemplo

 Nesta situação temos que identificar quais os fatores que estão impactando o número de leitos disponíveis.

Os leitos podem estar sendo bloqueados por diversos fatores (infecção hospitalar, falta de funcionário, fechamento de andar, manutenção), aos quais o gestor deverá estar atento para intervir se for necessário para garantia da gestão.

Este é um simples exemplo que mostra que analisar a Taxa de Ocupação Operacional isoladamente pode se tornar um grave erro mascarando outros problemas e levando a perdas financeiras.

No próximo artigo iremos falar da Média de Permanência.

Espero que vocês tenham gostado do texto.

Até a próxima

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  • Ana Maria campo Alves da Cunha

    Roberta
    Parabéns pelo material

    • Muito Obrigada, professora.
      Muitas saudades dos meus grandes mestres do São Camilo.
      Um grande beijo!

  • James Anthony Falk

    Roberta,
    Apenas uma consideração. Quando se calcula o paciente-dia no mês tirando o total de pacientes-dia pelo censo diário é bom lembrar que deve acrescentar o número de pacientes que entraram em saíram no mesmo dia, pois no cálculo do paciente-dia diário pelo censo, um indicador cancela o outro.