Saúde

Campanha de vacinação contra dengue no Paraná inicia em agosto

Por Roberta Massa B. Pereira | 27.07.2016 | Sem comentários

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Ao custo de R$ 100 a dose, será realizada no Paraná em agosto a primeira campanha de vacinação pública contra a dengue no país.

Vão ser aplicadas 500 mil doses da vacina, a primeira do tipo disponível no Brasil, produzida pela Sanofi Pasteur e aprovada em dezembro pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O alcance da campanha, porém, será limitado: apesar de o vírus ter circulado em quase todos os 399 municípios do Paraná, apenas 30 terão a vacina “”e, em 28 deles, ela será restrita à população entre 15 e 27 anos.

“Não é pouco. Ninguém começa com 500 mil [doses]. É uma grande ousadia”, diz a superintendente de Vigilância em Saúde do Estado do Paraná, Cleide Oliveira.

O governo diz ter escolhido a “população-chave” para iniciar a campanha. As 30 cidades contempladas concentram 80% dos casos de dengue registrados no Estado –que teve 61 mortes pela doença e um aumento de 60% dos casos neste ano, em relação ao ano anterior.

Foram levados em conta a incidência da doença na população, o número de internações e o número de mortes por dengue no município nos últimos cinco anos. “Foi uma escolha técnica”, diz o secretário interino da Saúde, Sezifredo Paz.

Os jovens, público-alvo da vacina, representam 30% dos casos de dengue no Estado, e mais da metade das internações pela doença. “É o grupo que mais circula e o que mais se expõe ao vírus”, afirma Oliveira. Por causa disso, imunizar essa população ajudaria a reduzir sensivelmente a circulação do vírus entre a população geral.

A expectativa do governo é reduzir a circulação do vírus pela metade nesses municípios em um ano, diminuir o número de internações e, em seis anos, controlar a doença no Paraná.

O investimento total será de R$ 150 milhões –hoje, o governo estadual estima gastar R$ 330 milhões por ano no combate e tratamento da dengue no Paraná.

Presente no evento, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse que “não há previsão” para a adoção de uma campanha nacional de vacinação contra a dengue.

Um órgão técnico do governo, o CTAI (Comitê Técnico Assessor de Imunizações), está realizando estudos para avaliar a viabilidade da medida e que grupos seriam prioridade na vacinação. Mas uma eventual campanha ainda teria que ser aprovada pelo ministério e encaixada no apertado orçamento federal. “A nossa prioridade é o combate ao mosquito”, afirmou Barros.

Críticas

Médicos ouvidos pela Folha afirmaram que a campanha é um importante passo no combate à dengue, mas é preciso que haja adesão e uma acertada estratégia de vacinação –sem esquecer das medidas de combate ao mosquito transmissor da doença.

“Senão, vamos ter vacina na geladeira e dengue rolando”, diz Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.

A eficácia da vacina também é alvo de preocupação: hoje, ela é de 66% na média para os quatro sorotipos da dengue e baixa, com 58% e 47% de eficácia no caso dos tipos 1 e 2, respectivamente.

Além disso, precisa ser aplicada em três doses, ao longo de um ano, para ter eficácia total –com o risco de baixo comparecimento aos postos de saúde. “É um número baixo [66%] para proteção vacinal. Mas, em virtude do quadro epidemiológico, tem que fazer [a campanha]”, afirma o infectologista paranaense Victor Horácio Costa Júnior.

Para o governo do Paraná, a eficácia não é baixa, tendo em vista que a população a ser imunizada é a mais atingida pela doença hoje “”e isso terá um forte efeito na circulação do vírus.

“O impacto é que é importante. A vacina atende a uma necessidade de saúde pública, e é uma ferramenta mais do que necessária”, afirma Sheila Homsani, diretora médica da Sanofi Pasteur.

As primeiras doses da vacina foram aplicadas nesta terça (26), num evento simbólico em Paranaguá. A cidade portuária de 150 mil habitantes teve ao menos 10% da população infectada pelo vírus neste ano. Foram 29 mortes.

Fonte: Folha de São Paulo-27.07.2016.

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