Saúde

Postos de tratamento mental sofrem com falta de médicos

Por Roberta Massa B. Pereira | 30.08.2016 | Sem comentários

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Psiquiatras que só atendem duas vezes por semana, horários de primeiro atendimento limitados e estrutura comprometida foram alguns dos problemas encontrados pela reportagem do “Agora” durante visita em oito dos 82 Caps (Centros de Atenção Psicossocial) da Prefeitura de São Paulo, sob a gestão Fernando Haddad (PT).

O serviço oferece tratamento para dependentes de álcool e drogas e pacientes com doenças mentais.

A falta de padrão no atendimento inicial aos doentes ou a familiares foi um dos principais pontos observados pela reportagem. Ao contrário do que estabelece o serviço, em que profissionais especializados devem fazer o primeiro atendimento em um local adequado, o acolhimento, em alguns endereços, foi feito até na porta da unidade e por seguranças patrimoniais.

A situação mais crítica foi flagrada pela reportagem no Caps Adulto Lapa (zona oeste), que atende pacientes com transtornos mentais. Com a porta principal do prédio fechada, por volta das 9h, o acesso era feito por um corredor lateral.

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Um segurança abordou a reportagem e disse ser ele o responsável por transmitir as informações sobre o serviço oferecido.

“Aqui eu faço de tudo”, disse o homem. Ele afirmou que o atendimento ali só era realizado por meio de um encaminhamento da UBS (Unidade Básica de Saúde). Somente após muita insistência, o profissional encaminhou a reportagem para uma recepção no andar superior do prédio da unidade.

No Caps Santo Amaro (zona sul,) uma assistente social fez o primeiro atendimento, mas alertou para a falta de profissionais. Só havia um psiquiatra. Já no Caps AD Jabaquara (zona sul), um profissional atende duas vezes por semana, segundo funcionários.

Na unidade da Vila Prudente (zona leste), o cenário não é diferente. “Só há um médico para 300 pacientes”, queixou uma atendente.

O horário do primeiro atendimento, diz ela, foi limitado por causa da falta de profissionais –das 8h às 11h e das 13h às 16h.

O Caps Jabaquara é o que possui a pior estrutura, com paredes mofadas e pouca iluminação natural.

Outro Lado

A Secretaria Municipal da Saúde, da gestão Fernando Haddad (PT), disse que só há um psiquiatra nos Caps porque o modelo não se concentra no atendimento medicamentoso, mas sim no psicossocial. “É a equipe multidisciplinar que pensa no projeto terapêutico individual do paciente”, afirmou, por meio de nota.

Sobre a unidade Lapa, disse que está providenciando reformas nos bancos e nas salas. Em relação ao segurança, negou que ele tenha dado informações, apesar de o vigia ter conversado com a reportagem.

O órgão disse ainda que os pacientes não precisam ser encaminhados por UBS, basta procurar o serviço do Caps de seu bairro. Sobre a sujeira da unidade da Brasilândia, disse que a limpeza é feita por uma empresa terceirizada.

De acordo com a prefeitura, a reforma do Caps Jabaquara está agendada para setembro e os profissionais da Vila Prudente foram reorientados sobre o atendimento.

Fonte: Folha de São Paulo-30.08.2016

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