Saúde

Número de transplantes cai mas quantidade de doadores aumenta no Brasil

Por Roberta Massa B. Pereira | 27.09.2016 | Sem comentários

Nem sempre o número de transplantes acompanha o número de doadores. Neste sentido, alguns dados da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos) e do SNT (Sistema Nacional de Transplante) do Ministério da Saúde diferem em relação à atual situação dos transplantes de órgãos no Brasil.

No lançamento nacional de Doação de Órgãos na Casa Brasil, na região portuária do Rio de Janeiro, no último dia 17, a projeção do SNT é de que, no fim de 2016, o transplante de órgãos sólidos caia de 7.772 (em 2015) para 7.750, numa queda de 0,28%. É a primeira queda registrada desde 2005.

Nas estatísticas da ABTO, diferentes, entre janeiro e junho de 2016 foram doados 3.823 órgãos sólidos — 2.651 de rim, o mais realizado — e 15.381 tecidos. Segundo já afirmou o cardiologista José Lima Oliveira Júnior, coordenador da Comissão de Remoção de Órgãos da ABTO, o momento agora é de tendência de alta no número de doadores.

— A taxa de doadores efetivos vinha caindo ao longo de 2015, se estabilizou no primeiro trimestre de 2016 e começou a subir agora, no segundo trimestre deste ano (2016).

Conforme disse Lima, a ABTO considera que houve, no último trimestre, um aumento no número de doadores, fazendo a relação sair de 13,2 por milhão de habitantes para 14 por milhão de habitantes. Em relação à queda apontada pelo SNT, Lima diz que a quantidade de órgãos doados é que diminuiu.

— Uma coisa é o número de transplantes, cada doador pode doar até oito órgãos sólidos. O número de doadores aumentou um pouco em relção ao primeiro trimestre, mas, em vez de doar oito órgãos (o que é o possível), como os cuidados não foram tão grandes, houve maior indisponibilidade de transporte, houve, por exemplo, maior índice de doação de rim, menor de coração, pâncreas e pulmão. O número de doadores aumentou, mas o número de transplantes não.

E como o número de transplantes diminuiu, o número de pacientes em espera na fila aumentou. Até 30 de junho último, segundo o SNT, cerca de 42.523 mil pessoas aguardavam na fila para transplante. Em 2015 eram 41.236 pessoas na lista de espera. Lima também diz que também há uma explicação para a diferença em relação ao número de 32.199 pessoas na fila, divulgado pela ABTO.

— O que se tabula como órgão e tecido é um pouco diferente, quando se inclui tecido fica diferente. Todo mundo questiona isso e já estamos acostumados.

Segundo a coordenadora do SNT, Rosana Rios Nothem, a crise econômica está afetando a infraestrutura para transplantes nos Estados e isso acarreta em maior dificuldade de lidar com órgãos mais sensíveis, que requerem maior investimento em tecnologia e transporte. Lima também cita que, no caso da ABTO, a base para as estatísticas são dados do IBGE, diferentemente do SNT, segundo ele.

— A ABTO considera a última estimativa do IBGE, o SNT considera o último censo. Ainda não vi esses dados apresentados pelo SNT, mas, como a população brasileira vem crescendo, se em vez de dados de dois anos atrás, do IBGE,  se pegar os de cinco anos, como do Censo, vai dar diferença. Se a população aumenta o índice cai, por isso tem de se tomar cuidado com essa ponderação.

Fonte: R7-27.09.2016.

Indicação de leitura: Ebook Lean Six Sigma em Saúde.

 

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