Saúde

Trump cogita manter atual sistema de saúde, bandeira de Obama

Por Roberta Massa B. Pereira | 12.11.2016 | Sem comentários

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O presidente eleito Donald Trump disse que vai considerar manter parte do Obamacare, a reforma do sistema de saúde dos EUA implementada por Barack Obama.

Desde que anunciou que iria concorrer à Presidência, em 2015, Trump tinha como uma de suas principais bandeiras a “revogação” do Obamacare.

A proposta era vista como um dos únicos consensos entre Trump e a parcela do Partido Republicano que não o apoiou na corrida .

Entre os pontos que podem ser mantidos estão as cláusulas que permitem aos pais manterem filhos mais velhos sob seu plano de saúde.

E proíbem que seguradoras neguem cobertura ao tratamento de doenças preexistentes.

A razão da mudança, disse Trump ao “The Wall Street Journal”, foi o encontro na quinta (10) com Obama, que teria sugerido áreas do programa a serem preservadas.

“Disse a ele que analisaria suas sugestões, e por respeito, farei isso”, afirmou.

Desde que foi eleito, Trump deu outros sinais de que poderia mudar seu tom agressivo.

Ao país dividido, ele prometeu, em seu primeiro discurso, ser “o presidente de todos os americanos”.

E pediu a “orientação e a ajuda” de quem não votou nele para “unificar nosso grande país”.

Na entrevista, afirmou querer um “país onde todos se amem” e que a melhor forma de aliviar as tensões é trazendo empregos para os EUA.

Questionado sobre a mensagem mais positiva depois de eleito, Trump respondeu: “Agora é diferente”.

Ele, contudo, negou ter ido longe demais na agressiva retórica. “Não, eu venci.”

Apesar da mudança de tom, o republicano ainda mostrou sua face “mais Trump” na noite de quinta, após dois dias de protestos contra ele no país.

“Acabei de passar por uma eleição presidencial muito aberta e de sucesso.

Agora, manifestantes profissionais, incitados pela mídia, estão protestando. Muito injusto!”, tuitou.

Horas depois, voltou atrás e disse “amar” o fato de que “os pequenos grupos de manifestantes têm paixão pelo nosso grande país”.

Os protestos são a face mais visível do problema que Trump tem pela frente.

Vitorioso no Colégio Eleitoral, mas derrotado no voto popular, terá que governar também para os 60,5 milhões que não votaram nele.

Inclusive os que saem à rua para dizer “ele não é meu presidente”.

Especialistas se dividem sobre as chances -e sobre a real intenção- de Trump conseguir diminuir a tensão.

“Um dos principais desafios para unir o país foi criado pelo próprio Trump: a retórica de divisão e insultos”, diz Davíd Carrasco, historiador da Universidade Harvard.

Para Martin Cohen, cientista político da James Madison University, Trump pode ajudar a arrefecer os ânimos escolhendo “indivíduos respeitáveis” para seu governo.

“Acho que vamos saber mais sobre sua real intenção quando ele começar a nomear a sua equipe”, afirma.

“Mas com [Steve] Bannon [presidente do site conservador Breitbart News] como chefe de gabinete, não consigo imaginar muita união.”

O colunista do “New York Times” Nicholas Kristof escreveu que era preciso “dar uma chance” ao republicano.

Uma das razões, segundo ele, é porque Trump pode fazer suas declarações radicais, mas não é “ideológico”.

Para Kristof, isso fará com que ele desista de suas propostas mais polêmicas.

Como a construção de um muro na fronteira com o México, quando perceber o quão difícil é colocá-las em prática.

Cohen concorda. “Democratas devem estar abertos a um presidente que pareça governar de forma diferente do que fez na campanha.

Mas estando prontos para lutar se ele se mover em direção a propostas mais controversas.”

Fonte: Folha de São Paulo-12.11.2016.

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