Saúde

Saúde Pública no Brasil terá um ano desafiador em 2017

Por Roberta Massa B. Pereira | 19.12.2016 | Sem comentários

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Diante de um cenário de crise econômica e de perda de postos de trabalho formais, um dos grandes desafios para o SUS (Sistema Único de Saúde) nos próximos anos será o seu financiamento e a sua sustentabilidade.

Em 2016, quase 2 milhões de brasileiros perderam seus planos de saúde e passaram a utilizar a já abarrotada rede pública.

E há um temor adicional de que a Proposta de Emenda à Constituição que limita o aumento dos gastos federais por até 20 anos, aprovada na última terça (13).

Reduza ainda mais os recursos da saúde.

O texto restringe o crescimento das despesas do governo federal à inflação do ano anterior.

Ocorre que a inflação do setor é, tradicionalmente, o dobro do índice oficial.

Soma-se a isso o fato de que o sistema público de saúde é cronicamente subfinanciado.

Apenas 48% das despesas totais com saúde no Brasil são públicas.

O restante (52%) é gasto privado, das famílias e das empresas.

Na Inglaterra, que também tem um sistema de saúde universal, 85% do total é público.

Entidades do setor alertam que em 2017 estarão em risco programas já implantados.

Como a estruturação das redes de atenção à saúde prioritárias (cegonha, saúde mental, atenção às urgências e emergências, às doenças crônicas e às pessoas com deficiência).

O governo federal nega.

Com mais gente e menos recursos, estão previstas mais filas de espera para exames e consultas, mais superlotação nas emergências, mais escassez de recursos nas unidades de saúde, mais falta de leitos.

Fora a questão do financiamento, o SUS já sofre o impacto da mudança demográfica e, consequentemente, do aumento de doenças crônicas, que demandam mais gastos.

Em 20 anos, o número de idosos deve quase dobrar, passando dos atuais de 24,9 milhões para 48,9 milhões de habitante.

A população com 80 anos ou mais aumentará em mais de 150% –para 8,8 milhões.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) projeta que, em 2030, as principais causas de mortalidade no mundo não serão mais as doenças cardiovasculares ou cerebrovasculares.

E sim o câncer, que tem um custo de tratamento altíssimo.

Além das doenças crônicas, o país vê aumentar sua carga de doenças infecciosas.

Está em curso uma nova epidemia de sífilis, que parecia coisa do passado.

O Brasil também deve entrar em 2017 com um novo recorde de arboviroses.

Até setembro, casos de dengue, zika e chikungunya somavam 1,86 milhão.

Pelas projeções mais conservadoras, o ano será encerrado com mais de 2 milhões de casos.

Muita gente torce para que 2016 acabe logo. Mas, na saúde pública, não há sinal algum de que dias melhores virão em 2017.

Fonte: Folha de São Paulo – 19.12.2016.

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