Saúde

Mais Médicos: cubana garante na Justiça sua permanência no programa

Por Roberta Massa B. Pereira | 10.02.2017 | Sem comentários

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Mais Médicos: Decisão do juiz Renato Câmara Nigro acolhe argumentos de médica que teve negada sua solicitação para permanecer no programa.

A União será obrigada a renovar o contrato de trabalho de uma médica cubana que teve negada sua solicitação para permanecer no programa ‘Mais Médicos’.

A autora da ação, cujo contrato vence em março deste ano, alega que profissionais de outros países tiveram o pedido de renovação deferido, ‘caracterizando tratamento desigual e discriminatório em relação aos médicos de seu país’.

As informações foram divulgadas pelo Núcleo de Comunicação Social da Justiça Federal de 1.º Grau em São Paulo – Processo nº 0001260-18.2017.403.6105

A decisão de tutela de urgência foi dada pela 2.ª Vara Federal em Campinas (SP).

O ‘Mais Médicos’foi instituído pela Medida Provisória 621 e sancionado na Lei 12.871, de 22 de outubro de 2013, pela então presidente Dilma.

O programa prevê a chamada imediata de médicos para regiões prioritárias do SUS.

Na ação perante a Justiça Federal em Campinas, a médica cubana também pede ‘tratamento igualitário no que se refere ao recebimento da remuneração’.

Ela afirma que é pago uma bolsa no valor aproximado de R$ 10.500,00, sendo que 5% ficam retidos à Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e o restante é enviado ao governo de Cuba, retornando apenas R$ 3 mil para o médico sem qualquer justificativa plausível.

Para ela, ‘tal prática não pode ser admitida pelo ordenamento jurídico brasileiro, devendo ser aplicado o princípio constitucional da isonomia’.

Na decisão, o juiz federal Renato Câmara Nigro ressalta que a contratação de profissionais cubanos para o programa não é feita diretamente pelo governo brasileiro, mas por meio da intermediação da OPAS, conforme disposições legais e respectivos acordos internacionais mantidos pelos dois países com o órgão.

“Por outro lado, as peculiaridades na contratação de médicos cubanos no âmbito do programa federal em análise indicam que a isonomia resta abalada, vez que parece estar em desacordo com o que preceitua a Constituição Federal quanto à igualdade, pois tal situação propicia distinções a esses estrangeiros residentes no país, relativizando o livre exercício do trabalho que atende as qualificações profissionais estabelecidas pelas leis que legitimam o programa”, diz a decisão.

O magistrado cita ainda duas convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificadas pelo Brasil, que estão relacionadas ao tema.

A primeira estabelece a obrigatoriedade de o país aplicar aos imigrantes que se encontrem legalmente em seu território, sem discriminação de nacionalidade, um tratamento que não seja inferior ao aplicado aos brasileiros, inclusive com relação à remuneração.

A outra trata da proteção ao salário, a qual concede ao trabalhador a liberdade de dispor de seu dinheiro da maneira que lhe convier, o qual deve ser pago diretamente a ele.

Veda, ainda, o desconto dos salários cuja finalidade seja assegurar pagamento direto ou indireto do trabalhador a qualquer agente encarregado de recrutar a mão de obra.

Por considerar presentes a probabilidade do direito da autora e o perigo do dano caso o seu pedido não seja concedido antecipadamente, Renato Nigro deferiu a tutela de urgência, ‘uma vez que, se não for garantida a sua permanência no Programa, com seu consequente retorno a Cuba a eficácia jurisdicional restará frustrada mesmo que a ação seja, ao final, julgada procedente’.

Quanto ao pedido do recebimento direto do valor da bolsa paga aos médicos cubanos, o juiz postergou a análise do pedido quando proferir a sentença, por considerar que não há perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo.

Fonte: Estadão-10.02.2017.

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