Saúde

Hospitais Sabará, São Camilo e Samaritano aumentam a demanda por internação infantil devido ao vírus VSR

Por Roberta Massa B. Pereira | 13.04.2017 | Sem comentários

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Hospitais privados referências no atendimento infantil estão trabalhando no limite da lotação há pelo menos duas semanas em São Paulo.

A alta demanda por internação de crianças em estado grave, a maioria com complicações respiratórias, chegou ao auge na noite desta terça (11), quando o Hospital Infantil Sabará, em Higienópolis (região central), fechou as portas do pronto-socorro diante da impossibilidade de receber novos pacientes.

Pais relataram espera de até 24 horas por um leito, e uma placa que informa a falta de vagas foi afixada na entrada da instituição.

Funcionários orientaram os pais a procurar hospitais próximos. Outros endereços particulares, como a unidade Pompeia do hospital São Camilo, na zona oeste, e o Samaritano, na região central, estão sem vagas para internação infantil, segundo atendentes.

A alta na procura é explicada pela circulação do vírus sincicial respiratório, comum nesta época do ano, que acomete, principalmente, crianças de até seis meses.

De acordo com o pediatra Eiltan Berezin, vice-presidente do departamento de infectologia da Sociedade Paulista de Pediatria, a variação atual do vírus está mais forte do que nos anos anteriores.

“Quadros mais graves do vírus têm atingido até 10% das crianças infectadas. No ano passado, o percentual ficou em cerca de 6%”, diz.

A infecção produz um quadro de resfriado forte, mas, como afeta os pulmões, pode evoluir para uma bronquiolite quando ocorre acúmulo de muco nos brônquios e afeta a respiração.

Para ter certeza do diagnóstico, o Sabará tem exigido a realização de um exame chamado painel viral, que custa R$ 750 e não é coberto pelos planos de saúde.

A filha de três meses da professora Juliana Vidal, 34, chegou ao hospital Sabará com esse diagnóstico na noite do último domingo (9), mas teve que esperar 24 horas para conseguir um leito na UTI. A mãe conta que o quadro da criança era grave porque estava com baixa oxigenação no sangue.

“Ficamos no ambulatório. Pagamos uma fortuna de convênio para ela ser atendida neste hospital”, disse a professora. A criança foi atendida em uma ala improvisada transformada em UTI.

Apesar da superlotação nas alas de internação, a situação nos prontos-socorros dos hospitais citados estava tranquila na tarde desta quarta (12).

A espera por atendimento de um pediatra chegou a duas horas no Samaritano, por exemplo, onde foi registrada a maior demora entre quatro hospitais infantis visitados pela reportagem.

ENTENDA

O que é
O VSR é uma das principais causas de infecções das vias respiratórias e pulmões em recém-nascidos e crianças pequenas. É responsável por até 75% das bronquiolites (inflamação dos bronquíolos) e 40% das pneumonias nos períodos de sazonalidade

Pico sazonal
No final do outono, durante o inverno e no início da primavera (maio a setembro)

População de risco
Qualquer um pode ser infec-tado, mas podem desenvolver quadros mais graves bebês prematuros, crianças de até 2 anos, idosos de 60 anos ou mais, pessoas com doenças do coração e do pulmão, transplantados e imunodeprimidos

Frequência
Quase todas as crianças são infectadas pelo VSR pelo menos uma vez até os 2 anos, e é comum uma recorrência leve da doença durante a vida

Transmissão
A incubação do VRS dura de 4 a 6 dias, e o período de maior contágio é nos primeiros dias. A transmissão se dá pelo contato direto com as secreções do doente (tosse, espirro ou fala) ou pelo contato indireto, por meio de maçanetas, brinquedos etc.

Sintomas
Na maioria dos casos são semelhantes aos de um resfriado comum. Quando há evolução, a criança pode ter febre alta, muita tosse, dificuldade para respirar, adejo nasal (batimentos das asas do nariz), lábios e unhas azulados, chiado no peito, falta de apetite e letargia

Diagnóstico
Geralmente leva em conta os sintomas, mas o pediatra pode solicitar exames laboratoriais de amostras de sangue ou secreção da criança. Também é possível fazer uma radiografia do tórax

Prevenção
Evitar aglomerações e contato com infectados, lavar a mão frequentemente com água e sabão e aplicar álcool em gel. Crianças de até 2 anos podem tomar palivizumabe, um anticorpo disponível no SUS; são cinco injeções, uma a cada 30 dias

Tratamento
É sintomático. Na maioria dos casos, basta usar remédios para baixar a febre e aliviar as dores, fazer repouso, tomar muito líquido e ficar em ambientes umidificados, sem fumaça de cigarro. Pacientes em estado grave devem ser hospitalizados para receber suporte ventilatório e medicamentos como broncodilatadores

Fontes: Hospital Sabará, site do Drauzio Varella e Ministério da Saúde

HOSPITAIS

O Hospital Sabará informou que normalizou o atendimento no pronto-socorro e que aumentou a oferta de médicos, espaços e equipamentos no início de março para atender à alta na demanda.

Sobre o caso da mãe que esperou 24 horas pelo leito na UTI, a instituição informou que ofereceu à família possibilidade de transferência e que, durante a espera, a paciente recebeu todos os cuidados. Sobre o painel viral, o hospital disse que a falta do exame não impede a conduta médica.

O Hospital Samaritano apontou o aumento da demanda e confirmou que não há vagas na internação pediátrica.

Já o hospital São Camilo confirmou o aumento na demanda por leitos infantis, mas negou que haja falta de vagas na unidade Pompeia.

Fonte: Folha de São Paulo-13.04.2017.

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