Finanças

Crise financeira força Santa Casa de Santo Amaro a fechar maternidade

Por Roberta Massa B. Pereira | 15.05.2017 | Sem comentários

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A Santa Casa de Santo Amaro (zona sul de SP) vai fechar nesta terça-feira (16) os 27 leitos de sua maternidade e as dez vagas da UTI neonatal.

A decisão ocorre após o centro médico acumular R$ 21 milhões em dívida nos últimos sete anos.

A maternidade seria o departamento mais oneroso, com um déficit mensal de R$ 430,6 mil, segundo o superintendente do hospital filantrópico, Danilo Masiero.

Para equilibrar as contas, a diretoria planeja suspender partos, atendimentos obstétricos e internação de bebês prematuros, e ao mesmo tempo abrir leitos ginecológicos para intensificar o número de cirurgias.

Os novos leitos ocupariam o espaço onde hoje há a maternidade e a UTI neonatal.

Atualmente, há apenas quatro leitos de ginecologia. Apenas no ano passado, foram realizados 2.724 partos, uma média de 227 por mês.

“Isso (cirurgias ginecológicas) não me toma tanto dinheiro quanto a maternidade”, diz Masiero.

O superintendente explica que não paga as despesas de cirurgias que não são feitas. “Eu não vou receber pelo que não fiz, mas na maternidade, fazendo ou não, você tem que pagar.

Na ginecologia, se não fiz, não gastei material e não paguei honorário médico.”

Por ser hospital filantrópico, cabe aos gestores definir as especialidades ofertadas.

Outro Lado

A Secretaria Municipal da Saúde, sob a gestão João Doria (PSDB), disse que a Santa Casa de Santo Amaro anunciou a desativação de sua maternidade a partir de 15 de maio.

Segundo a prefeitura, a pasta de Saúde está adotando os trâmites de encaminhamento das pacientes para outros serviços da região, como Amparo Maternal e as maternidades do Hospital Municipal de M’Boi Mirim e Campo Limpo.

Segundo a pasta, o hospital recebe cerca de R$ 4,4 milhões em repasses para atendimento via SUS, enviados pelo Ministério da Saúde, “repasses voluntários” do Governo do Estado e repasses do tesouro municipal.

Sobre o “Corujão da Cirurgia”, a secretaria disse que o programa está em formatação, com previsão de início para o final de maio.

A pasta deve realizar o programa em etapas e, na primeira delas, 26 mil pacientes devem ser atendidos.

O superintendente do hospital, Danilo Masiero, explica que as medidas são uma forma de evitar que a dívida aumente e de garantir pagamento dos médicos.

Ao todo, 150 médicos estão com pagamentos atrasados, o que corresponde a R$ 3,6 milhões.

Fonte: Folha de São Paulo-15.05.2017.
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