Finanças

Rede de hospitais Ímpar prevê receita de R$ 2,5 bilhões este ano

Por Roberta Massa B. Pereira | 31.05.2017 | Sem comentários

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A Ímpar – rede de hospitais da família do empresário Edson Bueno, morto em fevereiro – acaba de encerrar uma reestruturação de três anos que demandou investimento de R$ 1 bilhão.

A partir de 2017, o investimento anual será de R$ 200 milhões para a manutenção dos hospitais.

O grupo possui seis hospitais: 9 de Julho e Santa Paula (SP), São Lucas e Complexo Hospitalar Niterói (RJ), Hospital e Maternidade Brasília (DF).

A reestruturação envolveu a unificação de áreas dos seis hospitais que, até então, atuavam de forma independente, como corporativa, financeira, comercial e de recursos humanos, entre outras.

Além disso, as unidades passaram por ampliação, modernização e forte investimento em tecnologia.

Questionado se essa reestruturação teve como objetivo a venda dos hospitais, o superintendente da Ímpar, Paulo Curi, nega que esse seja o propósito.

“A organização dos hospitais não foi feita para venda, não estamos negociando com ninguém.

Não trabalho pensando se os hospitais vão ser vendidos ou não”, disse Curi, que assumiu a Ímpar em 2013.

Segundo fontes, antes mesmo de sua morte, Bueno conversava informalmente com a UnitedHealth, dona da Amil, e investidores sobre a venda de seus hospitais.

O empresário trabalhava com dois cenários: um deles só envolvia os hospitais e outro incluía os imóveis.

O valor pedido ficava entre R$ 7 bilhões e R$ 10 bilhões.

Ainda de acordo com fontes, o valor que Bueno pedia era considerado alto pelo mercado.

Para efeitos de comparação: o Samaritano, de São Paulo, foi comprado pela UnitedHealth por R$ 1,3 bilhão.

O empresário jogava alto porque sabia das dificuldades dos investidores em encontrar uma rede de hospitais no Brasil.

Em janeiro de 2015, a legislação passou a permitir a entrada de capital estrangeiro em hospitais nacionais, o que fez vários fundos desembarcarem no Brasil.

O conglomerado chinês Fosun, por exemplo, negocia a aquisição do controle do Hospital da Bahia por cerca de R$ 1 bilhão.

A reorganização na Ímpar já se reflete no balanço.

No ano passado, a companhia registrou lucro líquido de R$ 68 milhões (excluindo o hospital Santa Paula), quase nove vezes mais do que o apurado em 2015.

O lucro líquido do Santa Paula também disparou, saindo de R$ 945 mil para R$ 26,1 milhões em 2016.

Em ambos os casos, houve um crescimento expressivo de receita.

Neste ano, a expetativa é que toda a rede Ímpar encerre com faturamento de R$ 2,5 bilhões, alta de 15% sobre 2016.

Esse crescimento deve vir, principalmente, dos novos leitos que estão sendo abertos.

O hospital de Niterói (RJ) terá mais 140 leitos, sendo que os primeiros começam a ser abertos no segundo semestre.

Em 2018, o hospital 9 de Julho também ganha 80 novas unidades de internação.

A Rede Ímpar é controlada integralmente pelo fundo de investimento Genoma III que, por sua vez, tem recursos da família Bueno.

No Santa Paula, o fundo detém 80%, sendo que a outra fatia é do médico George Schahin.

A participação de Edson Bueno na Ímpar fará parte do seu inventário, que será composto ainda por ativos como a Dasa e as ações da UnitedHealth.

Desde a reestruturação da Ímpar, iniciada em 2013, Dulce Pugliesi, ex-esposa de Edson e sua sócia, já era a presidente do conselho da rede de hospitais.

Edson não tinha um cargo na Ímpar, uma vez que era presidente da UnitedHealth América Latina.

Fonte: Valor Econômico – 31.05.2017.

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