Empreendedorismo

Hospital Care negocia aquisição do Hospital São Lucas de Ribeirão Pedro

Por Roberta Massa B. Pereira | 20.06.2017 | Sem comentários

A Hospital Care – holding da área de saúde capitaneada pelos fundos Bozano e Abaporu.

Está em negociações finais para a compra do Hospital São Lucas, de Ribeirão Preto (SP), controlado pelo médico Pedro Palocci, irmão do ex-ministro Antonio Palocci.

Trata-se da segunda aquisição da Hospital Care que, neste mês, concluiu a compra do Hospital Vera Cruz, em Campinas, e está investindo cerca de R$ 600 milhões nos dois projetos no interior de São Paulo.

A estratégia da Hospital Care é comprar hospitais de alta complexidade, com marca reconhecida em cidades do interior paulista, e erguer no seu entorno hospitais de baixa complexidade (sem UTI e centro cirúrgico), clínicas médicas e laboratórios.

No caso dos hospitais de baixa complexidade, a holding firmou parceria com um investidor que está construindo este tipo de empreendimento.

Em Campinas, o grupo já tem o Vera Cruz, que é um hospital de alta complexidade, uma clínica oncológica e um laboratório de análises clínicas.

Em Ribeirão Preto, o São Lucas é dono de uma torre para procedimentos médicos complexos e outro prédio que, normalmente, atende a casos simples.

Hoje, o Vera Cruz e o São Lucas detêm, juntos, cerca de 300 leitos.

A meta é dobrar esse número em no máximo dois anos por meio de crescimento orgânico.

À frente da Hospital Care está Rogério Melzi, ex-presidente do grupo de educação Estácio.

“O setor de saúde vai passar por um processo de consolidação semelhante ao que ocorreu em educação.

Já estamos implementando uma cultura corporativa, com uma central comum de atendimento e orçamento base zero”, disse Melzi.

O executivo é ligado ao empresário Elie Horn, fundador da Cyrella, que montou o fundo Abaporu com recursos próprios para investir em negócios fora do mercado imobiliário.

Na Cyrela, Melzi é conselheiro independente há três anos e, desde março atua como copresidente do conselho de administração da incorporadora.

Horn se interessou pelo setor de hospitais por conta de sua proximidade com o economista Paulo Guedes, CEO da Bozano Investimentos, de quem é amigo de longa data.

Guedes montou um fundo de US$ 300 milhões para investir, principalmente, em saúde.

Horn entrou como coinvestidor nos negócios de saúde.

Com isso, foi criada a Hospital Care, que detém 70% de capital da Bozano e 30% do fundo Abaporu.

Toda a estratégia de aquisições e expansão foi desenhada pela turma da Bozano há cinco anos, mas o projeto ganhou fôlego após a aprovação da legislação que permite capital estrangeiro em hospitais nacionais, em janeiro de 2015.

Atualmente, os executivos da gestora de private equity analisam outros seis hospitais para aquisição em Atibaia, Sorocaba e São José do Rio Preto.

Na primeira fase de expansão, o foco é o interior de São Paulo e depois a região Sul do país.

“Procuramos ativos em praças em que boa parte da população tenha planos de saúde, renda elevada e com baixo déficit de leitos.

Em Campinas e Ribeirão Preto, metade da população tem convênio médico e se enquadra nas demais características”, disse Priscila Rodrigues, sócia da Bozano Investimentos.

No Vera Cruz e São Lucas, a aquisição envolve uma fatia entre 60% e 65%. No caso do hospital de Pedro Palocci, a expectativa é que o negócio seja totalmente concluído em 90 dias.

“Fizemos uma ‘due diligence’ bastante rigorosa e não encontramos nada ilícito ou relacionamentos com o governo”, disse Priscila.

“Além disso, há uma série de cláusulas de punição caso algo seja encontrado após o fechamento do negócio”, afirmou Jaime Cardoso, sócio da Bozano que há dez meses negocia o ativo.

Segundo fontes do setor, fundos, hospitais e operadoras de planos de saúde também se interessaram pelo São Lucas, que, no ano passado, abriu um processo competitivo de venda.

O fato de o controlador do hospital ser irmão do ex-ministro envolvido nas denúncias da Lava-Jato pesou nas negociações, mas não tirou o interesse dos investidores.

O médico Pedro Palocci, que hoje detém cerca de 70% do capital, continuará como presidente do São Lucas.

“Se o gestor é bom, temos preferência em mantê-lo no hospital”, disse Melzi, presidente da holding.

Na área da saúde, o relacionamento com a comunidade médica é muito importante; é ruim uma ruptura”, disse Gustavo Carvalho, presidente do Vera Cruz, que foi mantido no cargo.

As negociações com o Vera Cruz levaram cerca de três anos devido à quantidade de sócios: 174.

Ainda hoje, são cerca de 90 acionistas com pequenas participações. “No dia da assinatura do contrato, tivemos que dar senhas para atender todos os acionistas de forma organizada”, contou Priscila.

Fonte: Valor Econômico-20.06.2017.

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