Saúde

ANS realiza seminário com entidades sobre o enfretamento da obesidade

Por Roberta Massa B. Pereira | 18.12.2017 | Sem comentários

Cerca de 100 representantes de entidades de saúde, operadoras e prestadores de serviços acompanharam  no Rio de Janeiro, o Seminário de Enfrentamento da Obesidade e Excesso de Peso na Saúde Suplementar.

Realizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o evento foi fruto do trabalho do Grupo Multidisciplinar para Enfrentamento da Obesidade.

Criado pela reguladora com o objetivo de promover melhorias e incentivos na atenção à saúde relacionada à prevenção e ao combate da obesidade entre beneficiários de planos de saúde.

O Seminário marcou o lançamento do “Manual de Diretrizes para o Enfrentamento da Obesidade na Saúde Suplementar Brasileira”.

Na abertura do evento, a diretora da ANS de Normas e Habilitação dos Produtos, Karla Coelho, falou da importância do debate sobre o tema.

“Hoje temos aqui a presença de diversos especialistas que trazem dados científicos de pesquisas baseadas no perfil epidemiológico da população brasileira.

Para pensarmos na melhor forma de enfrentamento do excesso de peso e da obesidade.

Através de programas de promoção de saúde e prevenção de doenças, em rede articulada de saúde que prime pela organização do cuidado.

Sabemos das doenças crônicas não transmissíveis decorrentes da obesidade.

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E do impacto que causam na vida das pessoas, como diabetes, câncer, doenças osteoarticulares e outras relacionadas à saúde mental, como a depressão.

Hoje sabemos também que viveremos mais, mas queremos viver com qualidade, daí a importância desse Seminário.

Que pretende também provocar a reflexão sobre como os indivíduos fazem as suas escolhas por um estilo de vida mais ou menos saudável, mais ou menos sedentário”, explicou Karla Coelho.

Após abrir o encontro, a diretora passou a palavra a João Luis Barroca de Andrea, ex-diretor da ANS.

Fez uma reflexão sobre o atual modelo de saúde e da sociedade (que gasta cada vez mais tempo presa às telas de celulares e tablets).

Baseado em padrões que “retroalimentam a obesidade e o excesso de peso”.

O Seminário contou com diversas palestras e mesas de debate.

E com uma mensagem da criadora do Panelinha (site, editora e produtora) e apresentadora de TV, Rita Lobo, gravada em vídeo especialmente para a ocasião.

“Estou feliz da vida que o Panelinha está junto da ANS nesse projeto tão importante para combater a obesidade.

Há 17 anos trabalhamos para levar as pessoas para a cozinha. Sabemos que alimentação saudável de verdade é feita em casa.

Com alimentos que venham da natureza, sejam eles de origem animal ou vegetal, in natura e minimamente processados.

A partir de 2014, com a publicação do Guia Alimentar da População Brasileira, do Ministério da Saúde, tudo ficou mais claro.

Ficou mais fácil das pessoas entenderem o que precisam tirar da alimentação.

Não é o glúten, não é a lactose, não é o carboidrato, e sim os alimentos ultraprocessados.

Sabemos que esse trabalho profundo feito pela ANS também é baseado no Guia, sendo muito completo por unir a área médica e dar destaque para a Educação Física.

E nós aqui, da cozinha, vamos somar esforços para combater a obesidade no país”, disse Rita Lobo na gravação exibida no encontro.

Em sua palestra, a gerente de Monitoramento Assistencial da ANS, Katia Audi.

Lembrou que vivemos um modelo de saúde que estimula o consumo de procedimentos e exames, e não o cuidado e atenção ao paciente.

Isto, somado ao sedentarismo de grande parcela da população, se torna extremamente prejudicial para o enfrentamento da obesidade.

“Nosso desafio é a qualidade de vida das pessoas e a sustentabilidade do setor.

Em um país com tantas diferenças sociais, temos que pensar, por exemplo, em levar atividade física para as diversas camadas da população.

É importante sair do sedentarismo, começar a se mover, sair do sofá.

E é fundamental atingirmos as novas gerações com a educação em saúde na escola, lugar onde se consegue, de fato, uma transformação”, afirmou Katia Audi.

Segundo dados da pesquisa Vigitel Brasil 2016 da Saúde Suplementar, a proporção de beneficiários adultos de planos de saúde com excesso de peso vem aumentando desde 2008.

Quando foi realizado o primeiro levantamento, passando de 46,5% para 53,7%.

O mesmo ocorre com a proporção de obesos, que aumentou de 12,5% para 17,7%.

É importante ressaltar que, no Brasil, apenas 10% dos pacientes com obesidade são diagnosticados, e porcentagem inferior a 2% dos mesmos recebem tratamento para obesidade.

Fonte: ANS-18.12.2017.

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