Empreendedorismo

Dona da Amil vai investir mais R$ 10 bilhões no país

Por Roberta Massa B. Pereira | 09.03.2018 | Sem comentários

A americana UnitedHealth Group, dona da Amil, está colocando mais R$ 10 bilhões no Brasil.

Deste total, R$ 8 bilhões são para a aquisição da Ímpar, rede de hospitais da família Bueno.

Além disso, a UnitedHealth planeja um aporte de R$ 2 bilhões para a criação de uma rede de clínicas médicas populares em parceria com a Dasa.

Empresa de medicina diagnóstica também controlada pela família Bueno, segundo o Valor apurou.

Em 2012, a UnitedHealth pagou cerca de R$ 10 bilhões pelo controle da Amil e, desde então, vem investindo fortemente em aquisições.

Que somam mais de 20 nesse período, e numa profunda reestruturação na operação brasileira.

Ainda de acordo com fontes, o modelo dessa nova rede é diferente das clínicas populares que existem atualmente no mercado.

Que oferecem basicamente consultas médicas e alguns exames.

O projeto prevê que essas clínicas funcionem como ambulatórios.

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E sejam feitas parcerias com hospitais para procedimentos de maior complexidade e com a Dasa para realização de exames com menor custo.

As negociações entre a UnitedHealth e a família Bueno para aquisição da Ímpar e o aporte em parceria com a Dasa ainda estão em andamento.

Procuradas pela reportagem, a UnitedHealth Group Brasil informou que tem por política não comentar rumores de mercado.

A Dasa, por sua vez, informou que está em período de silêncio devido à emissão de debêntures.

Com uma rede de ambulatórios voltada para o público popular.

A Amil poderá concorrer diretamente com as operadoras de planos de saúde NotreDame Intermédica e Hapvida que atendem a classe C com uma ampla rede própria.

A Intermédica é dona de 67 clínicas médicas e 18 hospitais e a Hapvida tem 74 centros clínicos e 25 hospitais.

Essas duas operadoras pretendem abrir o capital, neste segundo trimestre, para levantar cerca de R$ 6 bilhões, segundo fontes.

Parte desses recursos será usada para ampliar a presença de ambas em várias regiões do país (ver abaixo).

Segundo fontes, a família Bueno queria algo em torno de R$ 10 bilhões pelos hospitais da Ímpar.

Esse valor leva em consideração os múltiplos negociados pelo fundo Carlyle e pelo GIC (fundo soberano de Cingapura) para aquisições de participação na Rede D’Or, em 2015.

A Ímpar é um dos ativos mais cobiçados devido à reputação de seus hospitais como:

Os Hospitais 9 de Julho e Santa Paula (SP), São Lucas e Complexo Hospitalar Niterói (RJ), Hospital Brasília e Maternidade Brasília (DF).

Nos últimos três anos, a rede hospitalar recebeu investimento de mais de R$ 1 bilhão e em 2017 apurou faturamento de cerca de R$ 2,5 bilhões.

A Amil, cuja receita do grupo gira em torno de R$ 20 bilhões, vem dando especial atenção ao negócio de hospitais.

Em 2016, dividiu a companhia em três áreas: convênios médico e dental, hospitais e tecnologia para o setor de saúde.

O negócio de hospitais, batizado como Americas Serviços Médicos.

Tem 21 hospitais que atendem tanto os usuários dos planos de saúde da Amil como das demais operadoras e seguradoras de saúde.

Recentemente, a Amil comprou o Hospital Pitangueiras, do Grupo Soban, em Jundiaí (SP).

Mas essa transação ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Hoje, a Amil possui ainda 13 hospitais que atendem exclusivamente seus usuários.

A operadora é a maior do país, com 5,8 milhões de clientes de convênios médico e dental.

Além da Ímpar, a família Bueno negocia uma fatia de cerca de 10% da Amil não vendida ao grupo americano em 2012.

Na época, a UnitedHealth quis manter essa participação com o fundador da operadora, Edson Bueno.

Como garantia caso surgisse alguma contingência nos anos seguintes à aquisição e para que o empresário, que morreu há um ano, permanecesse à frente da Amil.

Segundo fontes, a United pode exercer o direito de compra dessa participação até 2020.

Fonte: Valor Econômico – 09.03.2018.

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