Saúde

Imunização contra gripe só atinge 40% do previsto em SP

Por Roberta Massa B. Pereira | 21.05.2018 | Sem comentários

A duas semanas do fim da campanha nacional de vacinação.

O Estado de São Paulo já corre o risco de enfrentar uma epidemia de gripe durante o inverno.

Por causa da baixa procura pelo imunizante. A previsão é de aplicar a vacina em 10,7 milhões de pessoas, integrantes dos grupos de risco.

Mas até a quinta-feira, 17, somente 4,3 milhões – cerca de 40% – tinham sido imunizadas.

No País, a situação não está muito melhor: a taxa é de 50%.

Neste ano, no Estado, foram registrados 146 casos de síndrome respiratória grave causada pelo influenza.

Dos quais 25 resultaram em morte.

Mas a primeira grande frente fria, com forte redução da temperatura e características da estação mais fria.

Só chega ao Estado neste fim de semana, já com previsão de geada na Serra da Mantiqueira.

Cobertura vacinal

No ano passado, foram aplicadas 53,4 milhões de doses em todos os grupos determinados.

De acordo com o coordenador de Saúde do Estado, Marcos Boulos, os números ainda são menores que os do ano passado.

Quando houve 1.021 casos e 200 óbitos, mas preocupam porque o período propício à doença está no início.

“Estamos com um número importante de casos e vai começar, ou já está começando, uma epidemia.

Vamos ter um aporte grande casos em junho e o ápice em julho, durante o inverno.”

Segundo ele, a melhor maneira de prevenir a doença é a vacinação.

“Temos de aumentar a cobertura nos grupos de risco, que está muito baixa”, observa Boulos.

“Temos cobertura um pouco maior que 50% dos idosos.

Mas o porcentual de crianças vacinadas está em torno de 27%, o que é bem baixo.

Não atingimos o nível desejado nem entre os profissionais de saúde.”

O índice mais baixo de vacinação, conforme o coordenador estadual, encontra-se entre as gestantes, em torno de 20%.

“Há médicos que não indicam a vacinação para grávidas, o que nos parece um erro.”

Conforme o coordenador, a secretaria ainda pretende continuar a vacinação na rede pública enquanto houver vacina – a campanha nacional termina no dia 1º.

Neste ano, o Instituto Butantã enviou 60 milhões de doses ao Ministério da Saúde para serem usadas em todo o Brasil.

Considerando os dados do ministério até esta sexta-feira, 18, ainda falta imunizar 28,4 milhões de pessoas – de um público-alvo inicial de 54,4 milhões.

Necessidade

A vacina previne contra os vírus influenza A (H1N1), A (H3N2) e B.

“A vacinação é fundamental para evitar as complicações decorrentes da gripe, que podem se tornar muito graves.”, diz Boulos.

Ele destaca que a vacina não provoca gripe em quem a toma.

Pois é feita com fragmentos do vírus, que apenas protegem o organismo contra a doença.

Celso Granato, professor de infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Explica que é importante que a imunização seja feita anualmente, uma vez que os subtipos dos vírus da gripe mudam.

Os diferentes causadores circulam pelo mundo e sofrem mutações com frequência.

No inverno mais recente dos Estados Unidos, o H3N2 infectou mais de 47 mil pessoas e provocou diversas mortes, principalmente de crianças e idosos.

“A princípio, nós não estamos correndo o mesmo risco dos americanos porque a nossa vacina foi preparada após a mutação desse vírus e a deles, não.

Nós não teremos problemas, mas desde que haja vacinação”, diz Granato.

O especialista ressalta que a cobertura vacinal no Brasil não costuma ser muito alta, e ele teme que a preocupação com a vacina da febre amarela tenha interferência no comportamento.

“As pessoas estavam preocupadas com os efeitos colaterais.”

Na prática, porém, a resistência à vacinação continua (mais informações nesta página).

As chances de contrair o vírus são iguais para todos, mas as complicações atingem mais as crianças e os idosos.

“Crianças com menos de 2 anos não têm memória imunológica, ou seja, não têm defesas que os adultos já adquiriram contra a gripe.

Já os idosos podem ter complicações por causa de doenças crônicas”, completa Granato.

Para entender

Quem deve, por orientação médica, tomar a vacina contra a gripe?

Quem sofre de doença respiratória crônica, doença cardíaca crônica, doença renal crônica, doença hepática crônica, doença neurológica crônica, diabete, imunossuprimidos, obesos, transplantados e portadores de trissomias, como a síndrome de Down.

E por que se faz uma campanha nacional que atinge outros públicos?

No período de 1999 a 2010, a vacinação contra a influenza sazonal estava disponível

apenas para idosos e alguns grupos de risco.

A partir de 2011, novos grupos populacionais foram beneficiados.

A ideia é reduzir complicações, internações e mortalidade decorrentes das infecções pelo vírus.

Por isso, são colocados como público-alvo e podem buscar vacinação em postos públicos de todo o País:

Crianças de 6 meses a 5 anos de idade, gestantes, puérperas, trabalhadores de saúde, professores, povos indígenas e idosos com mais de 60 anos.

O governo ainda procura imunizar adolescentes privados de liberdade, além de detentos no sistema penal.

Fonte:Estadão- 20.05.2018

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