Gestão

Como promover ações de saúde da família em sua rede de atenção à saúde?

Por Roberta Massa B. Pereira | 05.04.2016 | Sem comentários

Quando a rede pública de assistência à saúde se dedica a promover políticas de saúde voltadas para a educação da comunidade e das famílias, tem como resultado um impacto efetivo em indicadores importantes, afetando positivamente a gestão da rede como um todo.

Por isso que investir em programas de saúde com foco na população, é uma alternativa que deve ser encarada como forma de otimizar a gestão da saúde pública em geral.

Quer saber como levar adiante esse tipo de iniciativa e quais são os principais aspectos envolvidos na implementação dessas ações? Leia abaixo.

Mapeie e defina o território de atuação

Essa etapa inicial consiste em determinar que parte da população será atendida e qual área estará sob a responsabilidade de uma equipe de profissionais de saúde, a fim de melhor estabelecer a atuação da Estratégia Saúde da Família.

É importante que esses profissionais participem do processo desse mapeamento territorial para identificar eventuais grupos de risco, famílias ou mesmo indivíduos expostos a situação de maior vulnerabilidade.

Deve-se levar em conta que promover ações de saúde voltadas para as famílias é uma maneira de reordenar o modelo assistencial, que, nos dias de hoje, é fortemente voltado para a realização de um grande número de atendimentos diários.

O propósito deve ser o de encontrar um meio de reduzir esse número, permitindo que a unidade de saúde otimize o tempo para sistematizar melhor a assistência disponibilizada à comunidade, promovendo uma atuação preventiva a fim de diagnosticar, o mais precocemente, os casos mais severos de saúde e aumentando a eficácia do tratamento.

Na verdade, não é à toa que o conceito de medicina preventiva tem estado em evidência e vem amadurecendo ao longo dos últimos anos, pois a conscientização sobre a necessidade de prevenir e influenciar mudanças de comportamento na população também cresce.

Assim, orientar os usuários dos serviços de saúde a buscarem melhorias constantes na qualidade de vida com o propósito de evitar doenças tende a ser prioridade.

O grande ponto positivo quanto à cobertura de atuação das equipes de saúde da família por área definida se vê na interação que passa a existir entre o profissional de saúde e a comunidade.

Nesse cenário, definir as áreas de forma realista e bem planejada é extremamente importante, já que só assim as equipes poderão ter um contato pleno com os usuários do serviço e efetivamente trabalhar sobre os fatores de risco que podem levar os cidadãos ao desenvolvimento de problemas de saúde.

Programe e implemente as atividades

As atividades de atenção à saúde voltadas para as famílias devem estar focadas nas necessidades constatadas pelos profissionais de saúde e agentes comunitários que atuam nas respectivas áreas e micro-áreas. É fundamental, portanto, que seja elaborado um planejamento minucioso, organizando uma agenda de trabalho para que os profissionais das equipes possam seguir no dia a dia, de acordo com uma escala de trabalho pré-estabelecida. É essa agenda que orientará suas atuações.

A ideia é que as políticas de saúde implementadas incentivem o desenvolvimento de autonomia não apenas em âmbito individual, mas que também que a coletividade assuma um comportamento ativo quanto à melhoria da qualidade de vida, buscando perpetuar melhores condições de saúde.

Identifique a existência de grupos de risco

Fazer uma avaliação dos fatores clínicos e também comportamentais dos usuários do serviço vai determinar se existem ou não grupos de risco. Essa constatação é importante tanto para a elaboração como para a aplicação das ações de saúde, estabelecendo a priorização no atendimento nos casos onde haja a necessidade de um acompanhamento da situação de saúde do usuário do serviço. Sendo constatada a existência desses grupos, as atividades poderão ter como foco as necessidades particulares identificadas por essa avaliação. Assim, o trabalho da equipe terá maiores chances de êxito, prevenindo o surgimento de possíveis futuras doenças.

Promova ações para educar e esclarecer

O planejamento de ações de cunho educativo é de extrema relevância para a efetividade das ações em saúde. Afinal, uma vez que os usuários dos serviços de saúde estão cientes dos problemas constatados pela equipe atuante na comunidade, sabendo que conduta devem ter ao se deparar com a necessidade de buscar os serviços público de saúde, acabam por gerar um vínculo de corresponsabilidade com as equipes de saúde que atuam na comunidade. Essa relação estimula a organização da própria comunidade, que passa a atuar no controle social das ações dos serviços de saúde implementados ali.

Vale ressaltar que se deve promover ações educativas voltadas para as famílias com uma frequência regular, usando espaços públicos, informativos localizados na unidades de saúde ou da própria comunidade que comportem tais atividades.

Na prática, o esclarecimento e a informação funcionam como um incentivo à autonomia, o que leva a população a utilizar os serviços assistenciais de forma mais racional e a assumir uma rotina de vida mais voltada à manutenção da saúde.

Monitore e ajuste a ação da equipe

As ações promovidas pela unidade de saúde precisam ser revistas com regularidade, identificando o que funcionou bem e as falhas mais evidentes ou ao menos constatando as atividades que não trouxeram o resultado esperado. Esse trabalho de monitoramento da equipe fatalmente apontará para novas necessidades que tenham surgido, além de orientar rumo a uma readequação do processo, a fim de os profissionais de saúde e os agentes comunitários aumentem sua assertividade e eficácia. Afinal de contas, a eficiência na aplicação dos recursos públicos é um interesse sempre presente na gestão, principalmente na saúde.

Sabemos que a composição de uma equipe envolve ao menos um médico de família, alguns enfermeiros, auxiliares de enfermagem e agentes comunitários, podendo incluir até mesmo um dentista.

É preciso que essa equipe esteja, sobretudo, bem composta, para que possa colocar em prática as ações de saúde da família da melhor maneira possível.

Outro passo importante para a melhoria do atendimento na saúde pública fornecida pela unidade é a elaboração de protocolos para aplicação dos serviços assistenciais à população, isto é, definir quais ações são voltadas à prevenção, quais são voltadas à recuperação ou à reabilitação e assim por diante.

Com um serviço assistencial especificamente dirigido a um problema de ocorrência frequente na comunidade, é mais fácil manter a continuidade do processo e criar uma lógica de funcionamento voltada para a região em que a equipe atua. Lembrando que a flexibilidade da atuação deve estar condicionada aos diferentes contextos: estaduais, municipais ou regionais.

Fonte: MV Sistemas-05.04.2016

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