Gestão

Iniciativas apontam caminhos para melhorar a saúde no país

Por Roberta Massa B. Pereira | 12.11.2018 | Sem comentários

Um modelo de remuneração que foque o resultado do atendimento, não apenas a quantidade de consultas e exames; equipes de saúde multidisciplinares que cuidem do paciente dentro e fora dos hospitais.

Um protocolo claro e universal a todos os médicos, compartilhamento de informações; uso de tecnologia e parcerias.

Os problemas da saúde no Brasil são inúmeros e complexos, e não há uma solução única para resolvê-los.

Mas iniciativas espalhadas no Brasil e em todo o mundo mostram que é possível, sim, avançar, evitando desperdícios, aumentando a eficácia do sistema.

E garantindo saúde de qualidade a um número cada vez maior de pessoas.

O 6° Conahp, Congresso Nacional de Hospitais Privados, realizado de 7 a 9 de novembro na capital paulista, reuniu representantes de hospitais, laboratórios, seguradoras, indústria, governo
e agência regulatória para buscar soluções em conjunto com base em estudos e exemplos bem-sucedidos.

“A Anahp compreende a necessidade de lançar luz sobre as iniciativas que visam a contribuir para a sustentabilidade do nosso sistema de saúde”.

Afirmou Eduardo Amaro, diretor do Hospital e Maternidade Santa Joana e presidente do Conselho da Anahp.

Ao abrir o encontro, que reuniu mais de 2.500 convidados, entre os quais o ministro da Saúde, Gilberto Occhi.

O evento abordou formas de melhorar o setor pela ótica da eficiência tanto assistencial como operacional e da governança.

Mais de 80 palestrantes nacionais e internacionais discutiram os principais problemas do setor e, principalmente, os caminhos para mudar essa realidade.

“Os países podem ser diferentes, mas os desafios são sempre os mesmos”, ressaltou Margaret Wilson, Chief Medical Officer & Senior Vice President, da United Healthcare Global, entidade
que atua em mais de 130 países.

Margaret destacou, porém, iniciativas que começaram a mudar esse quadro, a partir do uso de ferramentas que reúnem todas as informações dos pacientes para que as equipes de saúde possam atuar dentro e fora dos hospitais.

Ela citou duas experiências bem-sucedidas realizadas uma em Guarulhos e outra em Jaboticabal, em que operadoras de saúde passaram a identificar e monitorar pacientes com diabetes.

Robert Janett, professor da Harvard Medical School e Executivo da Cambridge Health Alliance, defendeu o investimento em atenção primária. “Informação é o que alimenta o sistema.

Precisamos ter protocolos, programas de monitoramento e de certificação”, afirmou.

Outro consenso durante todo o evento foi a necessidade de implantar novas formas de remuneração para o setor.

Joe Flower, escritor e Healthcare Futurist, afirma não ver sentido em manter o pagamento por procedimentos (x fee for service) em vez de fazê-lo com base no desfecho clínico.

“Estudos mostram que desperdiçamos um terço do que gastamos na saúde com procedimentos que não precisam ser feitos.

Precisamos mudar isso.” Ezekiel Emanuel, vice-reitor de iniciativas globais e presidente da Universidade da Pensilvânia, Departamento de Ética Médica e Política de Saúde, afirmou que mudar o modelo de remuneração “é um trabalho duro”, mas possível.

Ele explicou que o primeiro passo é deixar claro a todos os envolvidos o modo como esse sistema irá funcionar e mostrar que todas as partes podem ser beneficiadas.

Ele deu exemplos exitosos de descentralização do atendimento, como a criação de incentivos aos médicos para que ampliem o tempo de atendimento em seus consultórios e, assim, ajudem a esvaziar o atendimento de urgência em hospitais.

No Brasil, a questão da remuneração vem sendo examinada há anos.

Mas, segundo representantes dos hospitais, das seguradoras e da agência que regulamenta o setor, a desconfiança e a falta de transparência travam as discussões.

“A discussão é antiga e o que esse mercado precisa é de previsibilidade, mas isso só vai acontecer com transparência, porque não existe uma solução mágica”, disse Daniel Coudry, diretor
executivo da Amil, durante a sessão plenária “Novos Caminhos para a Lógica de Remuneração da Saúde Suplementar”.

Para Mark Britnell, presidente global para a área de saúde da consultoria KPMG, a solução para melhorar o acesso passa necessariamente por parcerias público-privadas, as PPPs.

Segundo Britnell, para que as PPPs saiam do papel na velocidade necessária e surtam efeito positivo na saúde, o primeiro passo deve ser dado pelos governos.

“No Brasil, que já tem um sistema universal de saúde, o novo governo eleito tem que partir rápido para as PPPs, pois não existe alternativa, diante da falta de recursos para a saúde.

Isso vai ajudar o governo a gastar de forma mais eficiente.”

Enfermagem

A necessidade de capacitar e valorizar as equipes de enfermagem como saída para criar modelos assistenciais eficientes e centrados no paciente também foi unanimidade durante todo o congresso.

O assunto foi abordado por vários dos palestrantes internacionais e especialistas de cinco hospitais de diferentes regiões do Brasil mostraram que isso já é uma realidade.

No Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, foi criado um programa em que um profissional da enfermagem acompanha a paciente de câncer de mama desde o diagnóstico até a alta completa.

Esse acompanhamento pontual reduziu o tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento de 24 para 16 dias.

“Isso foi feito sem investir nada, só mudando processos e empoderando a enfermagem, que representa 50% de nossos 4.000 colaboradores”, disse Vania Rohsig, superintendente assistencial
do Moinhos de Vento.

Fonte: CONAHP – 12.11.2018.

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