Inovação

Os efeitos colaterais do WhatsApp na aplicação da medicina

Por Roberta Massa B. Pereira | 22.02.2019 | Sem comentários

Em um país com dimensões continentais e um sistema de saúde precário, a telemedicina pode ser um poderoso elixir.

Em um país com dimensões continentais e um sistema de saúde precário, a telemedicina pode ser um poderoso elixir.

Por um aplicativo de comunicação como o WhatsApp, conecta-se um médico e um paciente separados por barreiras da distância e do tempo.

Prescrição de medicamentos, envio de exames, apontamento de horários e até consultas — goste-se ou não – já acontecem regularmente por meios on-line.

O que os médicos acham disso?

O Conselho Federal de Medicina (CFM) está regulamentando o assunto, mas uma pesquisa realizada pela Associação Paulista de Medicina e o Global Summit Telemedicine & Digital Health já indica um cenário bastante favorável às novas tecnologias. 

Mais de 80% dos profissionais aprovam o uso de apps de mensagem, embora a prescrição e consultas remotas dividam as opiniões ao meio.

Os profissionais que já utilizam apps com pacientes afirmam que quase 50% das interações giram em torno do esclarecimento de dúvidas entre uma consulta e outra.

Um alívio imediato para quem antes tinha que decifrar sozinho uma receita ilegível ou aguardar um encaixe para explicar uma reação medicamentosa inesperada.

No caso da telemedicina aplicada à saúde pública, dá para imaginar um atendimento muito mais ágil, em larga escala e apoiado em consultorias com especialistas.

Tudo isso por meio de plataformas gratuitas ou quase, e que estão consolidadas em nosso dia a dia.

Ao lado de tantas facilidades, porém, há possíveis efeitos colaterais.

Um deles são ruídos na comunicação.

Como o diálogo é instantâneo, mas não necessariamente bem concatenado, a margem de erros de expressão e interpretação é grande.

Entre o que se escreve (ou fala) e o que o outro lê (ou ouve) pode haver uma diferença enorme.

Outro risco é a redução da prevenção.

A tecnologia nos deixa mais à vontade para desmarcar consultas (e adiar cuidados), e assim impedir os médicos de checarem “ao vivo” o estado clínico do paciente.

A falta de contato presencial enfraquece, ainda, um vínculo que gradativamente vem se afrouxando ao longo do tempo.

Nos dias de hoje, são muitos os relatos de atendimentos feitos a jato, com o paciente em pé ou sem ser tocado pelo médico.

Mesmo para os que conversam por vídeo (recurso também adotado em consultas com psicólogos), há desafios.

Interrupções de terceiros, falhas da tecnologia e atenção reduzida por notificações e diversos dispositivos à mão são problemas frequentes – e evitáveis quando as duas partes compartilham o espaço físico.

Qual seria, então, o remédio para driblar a complexidade da vida contemporânea e manter corpo e mente sãos?

Em se tratando de saúde, o bom senso adverte: o ideal é equilibrar o melhor da tecnologia e a força das relações à moda antiga.

*CEO da Dentsu Aegis Network Brasil e Isobar Latam.

Fonte: Época Negócios – 22.02.2019.

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