Inovação

Santa Casa realiza procedimento inédito no RS para tratamento de arritmias graves

Por Roberta Massa B. Pereira | 25.04.2019 | Sem comentários

Crioablação utiliza cateter com resfriamento para eliminar focos de batimentos anormais do coração e representa esperança de cura para portadores da doença

Os pacientes que sofrem de arritmias complexas agora possuem uma nova esperança de tratamento.

A equipe do Centro Internacional de Arritmias – Instituto J. Brugada, localizado no Hospital São Francisco da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre realizou nesta terça-feira (23/04) os primeiros procedimentos de crioablação no Rio Grande do Sul.

Na nova técnica, a ponta do cateter sofre um congelamento que varia entre -60ºC e -70ºC, sendo extremamente pontual no contato com o foco da arritmia sem afetar as estruturas nobres ao redor.

A crioablação é utilizada principalmente para tratar a fibrilação atrial, um tipo de arritmia caracterizada por batimentos cardíacos irregulares, sendo a responsável por 25% de todas as causas de acidente vascular cerebral.

Os sintomas da fibrilação atrial provocam uma perda da qualidade de vida, muitas vezes levando a um quadro de difícil tratamento clínico.

A ablação convencional continuará atendendo 90% das pessoas que possuem arritmia, sendo a crioablação destinada aos casos mais complexos e selecionados em que houve insucesso ou impossibilidade com outros métodos.

“Existem situações que o procedimento não pode ir adiante através da ablação pois o aquecimento do cateter pode gerar a queimadura de estrutura nobres.

A crioablação nos permite deflagrar o tratamento com a possibilidade de o risco ser bem menor nestes casos específicos.

Pacientes que há anos buscam uma solução, que têm dificuldades de serem tratados devido a complexidade do caso, agora possuem essa possibilidade”, explica o cardiologista e coordenador do Centro de Arritmias da Santa Casa, Carlos Kalil.

A dentista Joana Severo foi a primeira paciente a passar pelo novo procedimento da Santa Casa.

A causa da arritmia da jovem de 22 anos era uma doença congênita chamada Wolf Parkinson White.

“Estava acompanhando minha mãe e minha vó em uma consulta e, por curiosidade, quis fazer o exame pois já havia sentido algumas palpitações.

No mesmo instante fiz o eletrocardiograma e já foi constatado o problema.

Tinha duas opções: a cirurgia ou o tratamento com remédios.

Optei pela cirurgia pois queria a cura.

Primeiro tentei a ablação, mas foi sem sucesso porque poderia gerar outras complicações.

Iniciei o tratamento com remédios e, após algum tempo, surgiu a possibilidade da crioablação”, detalha Joana.

Menos de 24 horas após a realização do procedimento, ela já recebeu alta.

“Já caminhei pelo hospital, estou me sentindo muito bem, não apareceu mais nada no eletrocardiograma e posso voltar a fazer atividades físicas como os esportes radicais que eu gosto.

Agora é vida normal”, comemora a jovem.

Fonte: Assessoria de Comunicaçao Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre -25.04.2019.

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