Opinião

Sistema Único de Saúde-SUS da falência a redenção, terá salvação?

Por Roberta Massa B. Pereira | 18.11.2016 | 1 comentário

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A saúde pública no Brasil sempre viveu no abandono, nunca foi tratada como prioridade pelos nossos governantes.

As verbas são “destinadas” para as instituições e pouco importa a forma como esses recursos são distribuídos e utilizados internamente.

O termo gestão da saúde pública, não sai do papel e não é colocado em prática como deveria.

Com o agravamento da crise econômica, muitas pessoas não tiveram outra escolha, que não o de utilizar o sistema único de saúde, essa realidade sobrecarregou ainda mais o serviço.

Para complicar um pouco mais a situação da saúde pública, agora também temos que lidar com a Proposta de Emenda Constitucional 241.

PEC 241: limites para os gastos públicos

Caso seja aprovada, a PEC irá estabelecer um limite para os gastos da união, que serão congelados em níveis de 2016 e corrigidos, ano após ano, de acordo com a variação da inflação.

Para a área da saúde a PEC-241 no longo prazo irá piorar ainda mais a situação, pois existe uma grande possibilidade dos níveis de investimentos caírem.

Como imaginar uma queda nos investimentos na saúde de um pais que gasta cerca de 3,8% do seu PIB no setor.

Percentual que já é muito menor, por exemplo, do que os outros países da América Latina?

Na realidade, com o atual cenário já temos um sistema subfinanciado e que não atende minimamente a necessidade da população.

Necessidade de ajustes sérios focados na gestão

Como iremos garantir uma saúde de equidade e qualidade com o aumento de demanda que estamos tendo devido à crise?

O Sistema Único de Saúde-SUS, terá recursos para cuidar de todas essas pessoas?

Sinceramente, se continuarmos a “gerenciar” e negligenciar a saúde desta forma, fica difícil de visualizar uma luz no final desse túnel.

Ao invés de simplesmente propor corte de gastos, o governo deveria priorizar a implementação de um sistema de gestão mais eficaz.

Um sistema de gestão integrado e compartilhado, onde todos possam falar a mesma língua.

Onde o Município e o Estado trabalhem em parceria e com o objetivo de garantir para o SUS:

A qualidade na assistência aos pacientes, a otimização dos recursos e a redução dos custos.

Onde seja possível acompanhar a origem do recurso, sua distribuição dentro da instituição.

E que siga  até a destinação do produto final, seja ele um paciente, um equipamento, um material ou até mesmo um investimento.

Profissionalização, gestão e olho vivo nos custos

A corrupção, infelizmente, sempre existirá. O que precisamos é criar mecanismos de controle que possam filtrar e otimizar o processo.

É importante garantir maior controle e reduzir as possíveis brechas existentes.

Tenho ciência de que é uma tarefa complexa e desafiadora, porém não adianta tapar o sol com a peneira, apenas apostando no corte dos gastos.

Não atacaremos o real problemas que é o descontrole e falta de fiscalização no Sistema Único de Saúde

É preciso uma mudança de paradigma, precisamos apertar a tecla “Reset” e voltar ao início, aproveitar o que é bom e eliminar o que não funciona mais.

Da mesma forma que falamos algumas vezes no sistema privado;

“Hora de mudar a política Organizacional”, nesse caso mudar a política organizacional do nosso sistema da saúde pública.

Somente desta forma nosso sistema de saúde poderá sair do caos e alcançar a redenção.

Até a próxima.

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  • RicardoLPereira

    Olá Thiago, eu não vi em nenhuma parte do texto a autora dizendo que os vilões do SUS são os hospitais. Ficou mais do que claro, que o maior problema é a ineficácia na gestão começando nos órgãos que deveriam regulamentar o setor.