Opinião

Saúde em domicílio

Por Roberta Massa B. Pereira | 22.06.2017 | Sem comentários

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Com os avanços tecnológicos na área de saúde, o novo paradigma é prevenir para não precisar remediar.

Levando-se em consideração que no início do século XX a expectativa de vida era de 31 anos de idade (não chegando a 50 mesmo em países desenvolvidos), estamos presenciando uma mudança dramática nas pirâmides populacionais no mundo todo.

Isto possui implicações econômicas relevantes para governos e para sociedade, não apenas pelo número de pessoas impactadas mas também pelos custos crescentes dos sistemas de saúde.

Independente do país, classe social ou do sexo, estamos vivendo mais.

De acordo com uma pesquisa de 2015 publicada pela Organização das Nações Unidas, se na década de 50 a expectativa de vida da população mundial não chegava a 50 anos de idade.

Atualmente este número já chega a 70 – sendo que diversos países possuem expectativa de vida acima de 80 anos (como Canadá, Japão, Austrália e Finlândia).

No Brasil, com expectativa de vida de 75 anos, somos o sexagésimo sétimo colocado em uma lista de 183 nações.

Avanços científicos, políticas públicas, campanhas educativas e de vacinação e hábitos mais saudáveis foram fatores que contribuíram para essas mudanças.

Mas apesar disso o número de hospitais, especialmente em países desenvolvidos, está diminuindo.

Nos EUA, por exemplo, existiam cerca de 1,5 milhões de leitos hospitalares em 1975, contra aproximadamente 900 mil em 2014.

De acordo com a OECD (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), na primeira década do século XXI o número de vagas em hospitais na Europa foi reduzido em 1,9% ao ano.

A tendência para o futuro é procurar prevenir e evitar a todo custo internações – a própria duração média de cada internação também tem diminuído em função de novos remédios e procedimentos menos invasivos.

Não é à toa que uma das áreas de inovação em saúde com maior atividade seja justamente a assistência domiciliar, com diversas startups estruturando ambientes nos quais a família, o idoso e os profissionais de saúde envolvidos compartilham informações através de dispositivos como smartphones, tablets, câmeras e sensores.

Segundo dados do National Institute of Health (Instituto Nacional de Saúde dos EUA) cerca de 8% da população mundial – aproximadamente 525 milhões de pessoas – tinha mais que 65 anos em 2010.

A expectativa é que em 2050 este número chegue a 1,5 bilhões de idosos, ou 16% da população.

E o aumento irá ocorrer de forma bastante diferente dependendo da região geográfica: em países desenvolvidos será de cerca de 70%, enquanto que em países em desenvolvimento, como o Brasil, vai atingir mais de 250%.

Com isso, o uso de equipamentos para automatizar e assegurar que todos os remédios de um determinado paciente estejam sendo tomados também está crescendo.

A medicação completa do mês pode ser carregada previamente no equipamento, que se encarrega de enviar alertas e mensagens para o paciente, o médico, acompanhante ou membros da família de acordo com a configuração realizada.

Neste contexto, a integração entre computação, inteligência artificial, telecomunicações, biologia e serviços modifica de forma definitiva os modelos praticados até agora em temas como prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças.

A definição da chamada MedTech (ou Tecnologia na Medicina) consiste na aplicação de dispositivos, remédios, vacinas, processos e sistemas para cuidar da saúde e melhorar a qualidade de vida da população – e esta é uma área com forte fluxo de investimentos para startups.

De acordo com dados da Pricewaterhouse Coopers e da NVCA (Associação Norte Americana de Venture Capital), em 2016 mais de US$ 7 bilhões foram investidos em novas empresas de saúde, biotecnologia e dispositivos médicos.

Uma pesquisa publicada pela Business Insider Intelligence a respeito de equipamentos de IoT ligados especificamente à saúde (sem incluir os wearables existentes para manter a forma).

Estima que o crescimento será expressivo: de 95 milhões de dispositivos em 2015 a cerca de 650 milhões em 2020.

Estes dispositivos incluem o monitoramento de problemas respiratórios, circulatórios, cardiovasculares, digestivos e diabetes, entre outros.

Semana que vem vamos falar de algumas das inovações que estão em pleno desenvolvimento e dos seus impactos potenciais na vida de milhões de pessoas. Até lá.

*Fundador da GRIDS Capital, é Engenheiro de Computação e Mestre em Inteligência Artificial.

Fonte: Estadão-22.06.2017.

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